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Itaú de Minas - MG

Religião Santa Teresinha

Em ti meu Deus a minha alma está tranquila, como a criança nos braços de seu pai

Justamente ela vai dizer que nós precisamos reconhecer a nossa pequenez, reconhecer as nossas misérias, em tudo confiar no bom Deus!

02/10/2021 às 22h58 Atualizada em 02/10/2021 às 23h14
Por: jbbarbosa Fonte: Homilia
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Padre Júlio César
Padre Júlio César

 

02/10 - Quando nós nos reunimos para celebrar os santos e santas de Deus, nós temos muitas vezes enraizado em nossa consciência, a imagem de que eles já nasceram no céu, de que eles já nasceram repletos de honras e glórias, mas nos esquecemos de que eram homens e mulheres iguaizinhos a nós, de carne e osso,  que todos os dias enfrentava também os conflitos da vida as dificuldades de cada dia, mas em tudo conseguiam perceber, a presença e a graça de Deus conduzindo as suas vidas.

 

Se Santa Terezinha hoje é santa, é porque ela conseguiu optar na sua vida pelo essencial, criar na sua vida, ou fazer brotar cada dia da sua existência os mesmos sentimentos de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas primeiro com certeza ela precisou fazer um caminho de discernimento, um caminho de esvaziamento de si, para se preencher da Graça de Deus. A segunda leitura que nós acabamos de ouvir, tão bonita, tão profunda, carta aos filipenses: “Jesus Cristo sendo Deus, esvaziou se de si, para poder assumir a nossa condição humana”, fez se pequeno, fez se humilde, fez se um de nós.

 

Santa Terezinha e tantos os demais Santos e santas da igreja, para alcançarem a Glória dos altares, também esvaziaram-se de si, para preencher-se da Graça bondosa, abundante, e misericordiosa de Deus. É um percurso árduo, mas é possível, Santa Terezinha repito, uma jovem, viveu apenas 24 anos, mas quanto legado ela nos deixou, quantos ensinamentos, quanta experiência de vida, sem sair sequer do Carmelo.

 

Santa Terezinha, amados irmãos e irmãs, também é doutora da igreja, ela nos mostra que a via certeira para a santidade, é o amor, é o fazer se pequeno tal qual uma criança que sente abrigo, que sente acolhida nos braços do Pai. Como nós proclamamos no salmo responsorial desta sagrada liturgia, nós devemos fazer da nossa caminhada cotidiana, qual é a via? a infância espiritual que Santa Teresinha nos legou? Justamente ela vai dizer que nós precisamos reconhecer a nossa pequenez, reconhecer as nossas misérias, em tudo confiar no bom Deus! como a criança confia o seu pai, em tudo confiar no bom Deus!! com uma criança confia no seu pai.

 

Nós enquanto humanos, biologicamente conforme vamos crescendo vamos nos tornando independentes de nossos pais. Qual é o caminho que Santa Terezinha nos propõe? Que, a fé é contrário, quanto mais crescemos em santidade, mas dependente de Deus nós nos tornamos, para crescermos em santidade, é preciso tornarmo-nos dependentes de Deus, quanto mais próximos de Deus mas Santos nós seremos. Então esse é o caminho da infância espiritual que ela nos propõe, é o grande ensinamento, com certeza foi a grande experiência de fé, que esta mulher, esta religiosa, experimentou, e também nos deixou.

 

Amados e amadas de Deus, num mundo cada vez mais marcado por tantas divisões, num mundo marcado cada vez mais por tantas e tantas falsas verdades, num mundo onde nós nos confundimos com tantas notícias, tantas informações a cada instante, onde nós nos negamos a compreender o que é pecado, porque hoje nós temos esta dificuldade nós queremos ter a nossa própria verdade, a nossa própria religião, os nossos próprios mandamentos. Na época de Terezinha, achava-se que ninguém poderia alcançar o céu, ninguém. Deus havia criado as pessoas e era impossível chegar ao céu, muitos pensavam desta forma. Hoje a maioria das pessoas acham que Deus é tão bom, que a gente pode fazer o que quiser, que ele vai sempre nos perdoar. As coisas inverteram, parece que nós temos dificuldade de compreender os mandamentos os caminhos propostos por Deus, isso não muda, nunca mudará.

 

Hoje ao celebrarmos esta festa, contemplando Santa Terezinha, nós precisamos sair daqui com o nosso sim renovado, o sim de queremos sempre nos tornar dependentes de Deus, deixar Deus ser Deus na nossa vida, dar a Deus o lugar devido a Ele na nossa existência, Ele nos criou por amor, para o amor, e para que possamos experimenta-lo também, a partir dessa experiência com os irmãos e irmãs na nossa caminhada, no nosso dia a dia.

 

Então que hoje nesta celebração, inspirados por Santa Terezinha, que se fez tão pequena, mas ao mesmo tempo tão próxima de Deus, renovemos o nosso sim e saíamos daqui convictos de que só Deus deve bastar em nossas vidas: ” em ti meu Deus a minha alma está tranquila, como a criança nos braços de seus pais”, como a criança nos braços de seu pai, guardemos esta frase do salmo.

 

Então meus irmãos, minhas irmãs, busquemos reconhecer as nossas fraquezas, as nossas misérias, as nossas imperfeições, que Deus tire de nós toda auto suficiência, que Deus tire de nós, todas as ambições do mundo, que Deus tire de nós a prepotência de nos acharmos melhores do que os outros, que Deus tire de nós a prepotência de queremos apenas carreira, status, visibilidade, porque no reino de Deus, Deus exalta os humildes. Quanto mais pequenos nos fazemos, mais repletos da Graça nós nos tornamos. Que Santa Terezinha então possa nos ajudar, nos inspirar: só o amor basta, só o amor basta! desta vida, nós não levaremos nada, a não ser o amor com que amamos.

 

Lembrando  outro santo da igreja, São João da Cruz, ele vai dizer: no entardecer da vida, nós seremos julgados pelo amor, e Santa Terezinha também já dizia: só o amor, só o amor, o amor é tudo, eu quero viver do amor. E não é este amor que a sociedade, que as ideologias, que o mundo hoje nos apresenta, esse amor apenas erotizado, o amor até certo ponto, um amor repleto de limites. O amor que estes santos nos mostram, e nos indicam, é aquele amor ( o padre aponta para Jesus crucificado), o amor na cruz, o amor que se doa, o amor que se esvazia para que outros tenham vida, e a tenham em abundância. É este amor, o amor da cruz, que Santa Terezinha, e tantos outros, ou todos os demais Santos, abraçaram e viveram, porque para amar também existe sofrimento, às vezes nós achamos que amor é só mil maravilhas, coisa boa, alegria, felicidade. Quer amar? prepare-se também para sofrer, por que amor que esses santos nos propõe, não é esse amor que o mundo nos propõe, é o amor da cruz, é o amor de se reconhecer pequeno, criatura, reconhecer os nossos limites, e sempre caminhar ao encontro dos irmãos.

 

Então que Deus nos ajude, que Deus nos abençoe, e que nós possamos também viver do amor. Busquemos a santidade irmãos e irmãs, não é fácil. E a santidade e vai sendo construída no dia a dia da nossa história, não queiramos dormir pecadores e acordar santos, porque a santidade é um exercício constante, então nos apegamos ao exemplo dos santos e santas, para que nós também assim como eles, possamos ser exemplo nos dias atuais em que vivemos. A santidade não é algo distante de nós, ela é muito próxima a nós, quanto mais unidos a Cristo, mais santos nos tornamos, quanto mais unidos a Cristo, mais vamos criando em nós os mesmos sentimentos que Ele teve e viveu, e assim com certeza as portas do céu nos serão abertas. Então creiamos e nos esforçamos para buscar a santidade.  

 

“Em ti meu Deus a minha alma está tranquila, como a criança nos braços de seu pai”.

 

Texto extraído da homilia do Padre Julio César Agripino, da paróquia de Santa Rita de Cássia. Na missa solene da festa de Santa Teresinha, em Itaú de Minas.

Por JBBarbosa

 

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